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17 de set. de 2013

Namoro na Umbanda. Parte 2: os principais erros.

Quando o estresse do amor vai parar dentro do terreiro.

Olá irmãos umbandistas, como vão? Há algumas semanas falamos aqui sobre a proibição ou não dos namoros entre membros de uma mesma corrente mediúnica. Se ainda não leu, clique aqui, se inteire do assunto e retorne ao presente texto.

Vale ressaltar que eu sou a favor da liberdade de escolha amorosa dos filhos e dirigentes do templo, em meu terreiro há diversos casais e eu só estou escrevendo esta série de textos porque já namorei com pessoas do mesmo terreiro que o meu (estando eu como filho e, posteriormente, como pai). E por ter dado inúmeras cabeçadas nessa vida, falarei hoje sobre os principais erros que um casal pode cometer em sua vida de terreiro.

1. Colocar a mão na coroa. Isso é uma ordem do astral que aprendi a respeitar. Para começar, eu detesto ficar colocando a mão na cabeça de quem quer que seja, salvo os raros casos em que a pessoa está iniciando seu desenvolvimento ou que esteja com muita dificuldade na incorporação. E isso se agrava quando há um envolvimento amoroso entre as partes, porque, para balizar o desenvolvimento de uma pessoa, é necessária total imparcialidade, coisa que um casal definitivamente não tem. Sério gente, isso não faz bem.

2. Namorar DENTRO da gira. Sim, há pessoas que não conseguem deixar o namoro do lado de fora da gira. Ficam controlando os passos um do outro durante os trabalhos espirituais, deixando assim de se concentrar no axé da corrente. Ou pior: aproveitam cada intervalo para já ficarem agarrados, trocando beijos diante dos irmãos e visitantes. Já vi casos de um sentar no colo do outro e assim realmente não dá.

3. Confundir o Guia com a pessoa. Acontece muito disso e eu mesmo já fui vítima desse tipo de equívoco. A pessoa simplesmente se esquece de que nós doamos a nossa matéria para uma entidade espiritual, olhando apenas a figura e não quem a manipula. Aí se a entidade manifesta algum tipo de carinho por outro irmão ou visitante, a pessoa cujo namorado(a) está no processo de transe encara a cena com ciúmes, gerando assim uma carga excessiva e desnecessária de energias negativas que certamente causarão problemas a alguém mais tarde.

4. Transformar as entidades em conselheiros amorosos. Tem briga de casal em casa, eles não se resolvem e também não tem maturidade suficiente para deixar as rusgas do lado de fora do terreiro, o que acontece? Vão fazer de penico os imaculados ouvidos dos caboclos, pretos-velhos, marinheiros etc. que, pacientemente, se deixam alugar por um tempo infinito com a intenção de desfazer o clima pesado que o casal gerou no terreiro. E com isso as pessoas com necessidades legítimas ficam na fila...

5. Ficar se consultando com os Guias do parceiro(a). É uma dica que se aplica de forma semelhante ao erro número 1. Isso porque é necessária muita, muita concentração e tranquilidade para que a sintonia entre o médium e o espírito não seja quebrada, certo? Levemos em conta agora que a maioria dos médiuns são conscientes ou semi-conscientes. Agora imagine como fica a cabeça de um médium quando vê o companheiro(a) diante de "seu guia" para uma consulta. A luz vermelha do conflito de interesses acende na hora! A sintonia sofre grave abalo.

Querem complicar mais? Combine o item 4 e o item 5: um casal que brigou em casa, chega no terreiro e um vai reclamar para a entidade do outro sobre seus respectivos parceiros. Me digam, é seguro? Claro que não.

Repito: já vi muito disso nos terreiro e já cometi vários desses erros, sei muito bem do que estou falando. Portanto, sintam-se a vontade para se apaixonar por seus irmãos de santo e viver felizes com eles, mas deixem o relacionamento do lado de fora da gira e tentem não cometer esses erros que falei agora e muitos outros que a inexperiência pode nos levar a fazer.

Muito, muito axé para todos vocês! 

9 de set. de 2013

Meu reencontro com a Umbanda: o nascimento do Portal dos Orixás.

Esta imagem é raríssima: um dos primeiros congás do Portal dos Orixás, nossa casa nasceu num quartinho simples como a Umbanda deve ser.

Olá irmãos, como vão todos? Vocês se lembram de quando lhes contei da descoberta de minha mediunidade? Pois bem, hoje apresentarei mai um capítulo de minha história: o meu reencontro com a Umbanda.

Como sabem, eu conheci a umbanda com mais ou menos 7 para 8 anos, caí na gira pelas mãos do baiano Jeremias, o barra-vento me derrubou etc. Fato é que àquela época, minha irmã (que hoje é minha Mãe de Santo) estava grávida e posteriormente saiu daquele terreiro, para a alegria de minha mãe que odiava terreiro, tambor, espiritismo e tudo mais. E a vida seguiu o seu curso por uns 10 anos...

Eu morava em Itanhém, litoral Sul de São Paulo, namorava, vivia em uma chácara (ondoe hoje funciona o terreiro que dirijo) com meus pais e irmão, tudo tranquilo até que minha irmã, Raquel, veio passar uns meses conosco e começou a entrar em temas de espiritismo e me contava o que "As Vozes" diziam em seu ouvido o tempo todo.

Sou curioso doentio, confesso. Me apresente algo novo e eu vou colar em você até aprender tudo o que sabe, depois disso continuarei buscando por outras fontes de informação. No meu caso, minha irmã me apresentou a Umbanda, suas diretrizes e características, a prioridade pela caridade, o amor e a humildade, os Orixás e os demais guias protetores. Ficávamos horas e horas conversando sobre isso, noites adentro, eu perguntava, os guias respondiam e ela repassava as respostas. Bom tempo aquele.

Outra característica minha é a de não conseguir reter boas notícias, eu compartilho mesmo tudo aquilo que me faz bem, principalmente aquela redescoberta tão interessante. Foi questão de tempo até que aquelas conversas entre mim e minha irmã se tornassem reuniões entre ela, meu cunhado, o Peninha e a Daiane (dois dos melhores médiuns que já vi) e eu. Nascia ali, meus irmãos, o Portal dos Orixás, da união daquelas poucas pessoas curiosas ao redor de uma médium experiente, da fé de cada um e do grupo, do desejo de saber mais e de aplicar o conhecimento e da oportunidade de beber da fonte, ou seja, de ter suas perguntas respondidas diretamente dos Orixás.

Olhando para trás, o que pude aprender é que não dá para iniciar nada (muito menos um terreiro) sozinho ou sem união das pessoas em torno de um propósito. A gente respirava Umbanda naquela época, toda hora era hora de aprender e se desenvolver. Realmente eram áureos tempos que eu reviveria milhares de vezes se eu pudesse. Portanto, irmãos, aproveitem cada oportunidade que vocês tem de beber da fonte de sabedoria, de se entregar à gira e às vibrações do templo. Nunca se sabe os frutos que podemos colher disso.

Num próximo texto vou lhes contar como foi meu retorno (cômico, por sinal) aos desenvolvimentos.

Axé!

4 de set. de 2013

Qual a diferença entre Umbanda e Candomblé ?


Boa tarde caros leitores, amigos e irmãos de fé, por tempo não escrevo no blog, mas acreditem, se existe uma sina em minha vida essa sina é o irmão Claudio e agora por mais uma vez trabalharemos juntos, então talvez eu consiga cumprir a promessa de ser mais assíduo em meus textos. (Filhos de Oxóssi são caras de pau mesmo).

Em algumas conversas com ele, ou mesmo observando nossa página no Face, sempre surgem dúvidas quanto a Umbanda e o Candomblé, fundamentos de um e fundamentos de outro, e sempre a dúvida fica pairada no ar.

Afinal, qual a diferença entre Umbanda e Candomblé ?

Resposta: Tudo !

Melhor começarmos a discutir isso com outra pergunta, o que a Umbanda e o Candomblé tem em comum ?

Resposta: A mediunidade e o atabaque.

Sim, só isso.

Mas e os Orixás, há quem tanto louvamos e cantamos na gira de Umbanda.

Muitos irão discordar/ questionar quanto a resposta, mas em sua essência são coisas diferentes.

Na Umbanda se louva o Orixá, se canta, se reza e vibramos por eles. (Lembrando que a Umbanda definitivamente fundada pelo seu Zélio Fernandino, não tinha em sua essência o culto aos Orixás, e sim espíritos de desencarnados, como Caboclos e Pretos Velhos, a referencia ao Orixá na Umbanda não se sabe ao certo, mas a tese mais aceita de forma empírica é que os Pretos Velhos em sua vida carnal, o cultuavam de acordo com suas nações, e em sua jornada espiritual na seiva umbandista trouxeram esses ensinamentos e praticas de louvor. Mas lembrem-se que são coisas distintas, praticadas e consolidadas em períodos completamente distantes e diferentes na linha do tempo da história do Brasil.)

A Umbanda em si é constituída pela máxima da caridade através da mediunidade humana, onde os mentores por consultas, fazem a pratica dessa junto com seu médium e em meios aos trabalhos cantam e louvam os Orixás.

Ahhh Mentira ! E então o Ogum que eu recebo na Umbanda, não é um Orixá ?

Resposta: (Isso pode gerar bastante discordância entre os leitores) Mas não é um Orixá, é um espirito, um falangeiro que vem na "linha", vibração, daquele Orixá.

Por exemplo: Ogum Beira-Mar, não existe nas nações de Candomblé o Orixá Ogum cujo a qualidade seja Beira-Mar, esse é um termo brasileiro e da língua portuguesa.

Mas então quem são essas entidades e o que fazem ?

Assim como o Orixá Ogum atua nos caminhos, na guerra e na conquista, estes falangeiros também assim o fazem, a diferença é que eles são espíritos, e não essências puras como o Orixá que nasce do Ori de cada ser.

O mesmo acontece com os Caboclos de Xangô, as encantas de Iemanjá e Oxum etc..

No Candomblé a trilha é bem diferente, como diz meu zelador, Umbanda e Candomblé é como água e óleo, pode até parecer que num primeiro momento as substancias se misturam, mas depois a água decanta do óleo e elas se separam, não há como misturar. Umbanda é Umbanda e Candomblé é Candomblé. (Deixo aqui minha forte crítica para as casas que tocam o triste "umbandomblé")

Nos cultos de nação o Orixá é cultuado, mas qual a diferença disso ?

As reuniões de um Ilê não são pautadas por consultas, passes ou irradiações e sim se configura na incorporação do Orixá, nas danças, nos seus fundamentos e obrigações.

O Orixá no Candomblé é uma essência pura, um fragmento da natureza e até mesmo de Deus, assim como Iemanjá nas águas, Oxóssi e Ossain nas matas, Oxum nas cachoeiras.

Esse energia, pode ser considerada como uma centelha divina da própria natureza, que por sua vez tem a consciência e sua forma sublime e bruta ao mesmo tempo. Não se incorpora um Orixá a torto e a direito, não se da passagem a um Orixá como se da a um Caboclo, ele não sai com pés de dança pelo salão sem passar por processos e ritos, não se faz um Orixá num filho de santo sem ser pelas mãos de uma pessoa com no minimo 7 anos de iniciação.

Poderia ficar horas e horas, escrever linhas e linhas, para tentar separar essas duas religiões, mas para lição de casa e melhor entendimento, vale estudar um pouco sobre a origem de cada uma das religiões, para entender em si qual a diferença.

Deixo aqui um abraço cheio de paz para todos os nossos leitores, umbandistas e candomblecistas, Deus será sempre o mesmo e único.

Axé pra quem é de axé, saravá pra quem é de sarava e shallon pra quem é de shallon.