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6 de nov. de 2013

A história (engraçada) de como caí na gira depois de 10 anos


Olá irmãos de fé, como vão? Na semana passada, após muito tempo sem escrever aqui, achei que fiz um texto demasiadamente denso, árido, por isso hoje vou contar-lhes uma história de terreiro minha, talvez a mais engraçada de todas.

Considerem este como uma continuidade destes dois textos:

Recapitulando: eu conheci a Umbanda com 7 anos de idade, fiquei 10, 11 anos longe dela até me reaproximar de minha irmã e começar a ter contato com os Guias que ela recebia, me consultar, ficar curioso e cair na gira, ainda sem termos um terreiro.

É aqui que começamos de novo.

Éramos cinco - encarnados, sem contar os espíritos, claro. Minha irmã (também minha Mãe de Santo), seu marido na ocasião, a Daiane, o (Pai) Peninha e eu. Esses últimos três, inseparáveis e curiosíssimos sobre os propósitos da Umbanda, sua aplicação, história, limites, processos e rituais, tudo.

Mas antes disso quero que vocês entendam (e vislumbrem!) o cenário: não tínhamos um templo, não fazíamos rituais, sequer abríamos giras ou consultas. Éramos cinco. Seis na verdade, mas a irmã da Daiane acabou se mudando de cidade e pouco a vi nos últimos 10 anos. Como minha mãe (hoje minha filha de santo, assim como meu pai) não gostavam nada dessas "macumbarias", a gente se reunia onde e quando dava, quase sempre - vejam vocês - em um quartinho em forma de L adjunto à casa de meus pais. Minha irmã incorporava quase sempre o Capitão Alemão (marinheiro e entidade mais icônica de nossa casa desde sempre), vez ou outra suas Pombagira ou Sr. Severino boiadeiro e ficávamos conversando sem notar que o tempo passava.

Àquela altura eu já sabia que era protegido do Dr. Zé Pelintra (contarei isso no próximo texto desta série) e, cheio de coragem, decidi que iria me desenvolver. Lembrem-se de que estávamos em um quartinho, não estávamos de branco e nem nada. Naquela noite eu estava com uma bermuda de tactel azul e larga na cintura (era do meu irmão mais velho) que vivia sendo puxada para cima por mim afim de evitar o pior. Mesmo assim fui.

Eis que naquela hora minha irmã recebe o Zé Pelintra (um dos, são muitos e tal, todo mundo sabe, ela trabalha com o Seu Zé em raras ocasiões) que me coloca para girar com o Zé que trabalha comigo até hoje. Caí na gira novamente, era a mesma sensação de torpor de quando eu era criança, a mesma paz e energia, eu debutando na Umbanda e assumindo o compromisso que sustento até hoje, definindo o meu destino na irradiação de Sr. Zé Pelintra. Eu saí de mim, levitei espiritualmente e sequer me sentia girando. Foi lindo.

Lindo até eu abrir meus olhos, pois quando isso aconteceu vi a Daiane o o Peninha segurando o riso (em respeito aos guias, não à mim). Foi aí que olhei para baixo. Lembram daquela bermuda que citei? Ela estava no chão, cobrindo meus tornozelos, somente eles. Que vergonha.

Que bela maneira de incorporar um respeitoso guia de luz, não? Vai ver é por isso que não tenho vergonha nenhuma de de dizer  a todos qual a minha fé, de andar de branco por aí, de cantar ponto de Umbanda na rua, de ir pro emprego com uma camiseta com Orixá estampado. Eu já girei de cuecas, do que mais terei receio?

Alguém tem alguma história engraçada em relação à umbanda? Compartilhe com a gente!

Axé!

29 de out. de 2013

Umbanda: o legado moral dos negros e índios no Brasil


Olá irmãos umbandistas, como vão? Primeiramente eu gostaria de pedir desculpas pela falta de textos nestas últimas semanas, a questão é que eu escrevo aqui com base em inspirações diárias e para tanto eu preciso de um certo nível de quietude na alma e paz interior. algo que me escapuliu recentemente, mas acredito estar regressando.

Em uma de nossas últimas interações no Facebook, semanas atrás, eu pedi a opinião de vocês sobre o próximo texto e nosso irmão Leandro Panosso sugeriu que a conversa fosse sobre a herança cultural que nossos antepassados escravos e índios nos deixaram. Achei o tema formidável e fui pesquisar um pouco, mas a maioria dos achados já estavam presentes em minha memória e vida de forma muito cândida, muito apaziguada, como, por exemplo, a culinária, expressões linguísticas, costumes e superstições. O problema é que a gente acaba se esquecendo - ou sequer se preocupa em saber - de onde veio tudo isso e qual o custo dessa herança.

Parem para pensar um pouquinho. Se imaginem aí em suas casas, tranquilos numa bela tarde com a família quando, de repente, um bando de seres de cor estranha, língua desconhecida e roupas jamais vistas invadem sua vida, violentam suas mulheres, te prendem e te tiram o que mais lhe importa: sua liberdade, seu lar, sua pátria e família. Como você se sentiria ao perder tudo isso? E ao ver seus semelhantes morrerem nos fundos fétidos de um navio negreiro, hein? O que passaria em sua mente ao ter que jogar os corpos de sua família, morta há dias, no mar?

Revolta, não é?

Isso porque nem citei as humilhações passadas em terra firme, as barbáries que nossos ancestrais tiveram de enfrentar. Imagine este ciclo se repetindo durante séculos.

Mais revolta? Eu sei.

E depois da Lei Áurea veio a liberdade, mas a segregação continuou e perdura até hoje. Todos sabemos disso. e com os índios foi a mesma história também.

A Umbanda nasceu negra e índia. Mas como uma religião tão linda e pacífica como a nossa poderia nascer a partir de povos tão sofredores e que, segundo a nossa lógica humana, se tornaram tão revoltados?

A Umbanda, neste contexto, é a melhor resposta à minha pesquisa e à indagação do nosso leitor: o maior patrimônio que os negros nos deixaram não foi a culinária ou quaisquer outros costumes, foram seus ensinamentos, seu legado moral. O ensinamento de que por mais que sejamos castigados, humilhados ou dizimados, devemos nos erguer e continuar nossa luta pelo bem maio da vida terrena e eterna. Aprender não somente com nossos erros, mas também a não repetir as falhas alheias, pois não é porque fomos açoitados um dia que iremos açoitar o próximo.

O legado moral é e sempre será o nosso maior presente às gerações futuras, portanto questionem-se sempre por quais atos vocês querem ser lembrados e quais atitudes suas vocês desejariam ver seus filhos replicando.

Foi para isso que a Umbanda surgiu, para que os negros e índios nos mostrassem qual postura tomar diante de quem os açoitou: o perdão.

Então pratiquem sempre o bem e sejam felizes com a felicidade do próximo.

P.S.: vejam essas fotos do final da escravatura no Brasil http://bit.ly/1aEMXto 

2 de out. de 2013

Por que a cabeça do umbandista é sagrada?

"Cada cabeça com a sua sentença", o Ori é sagrado!

Olá irmãos umbandistas, como vão?

Em nosso último texto, citei os principais erros que levam o namoro entre irmãos de santo à ruína. Dentre os tópicos, mencionei o colocar a mão na coroa do médium e um irmão nos pediu nos comentários para que falássemos mais sobre isso fora do contexto amoroso. Então mãos à obra!

Por que a cabeça é tão sensível e importante para o umbandista?

A cabeça é sagrada não só para o umbandista, mas sim para a maioria das crenças que conheço. Alguns exemplos: 

  • O sétimo e principal Xakra, o Sahasrara é situado no topo centralizado de nossas cabeças. Segundo a tradição indiana, é através dele que recebemos a iluminação divina, o Sahasrara é também responsável por regular toda a nossa energia. Seu mantra é o Aum que nos remete ao sânscrito Aum-Bandhã que é relacionado às origens da umbanda. Clique aqui e saiba mais;
  • Judeus e muçulmanos cobrem suas cabeças em sinal de respeito;
  • O mesmo vale para os católicos, de forma mais aguda os Franciscanos que raspam o topo de suas cabeças.
  • No Candomblé a cabeça dos filhos de santo recebem sempre atenção especial em todos os rituais;
  • A cabeça é símbolo de conhecimento, de comando, de aprendizado e elevação do pensamento, de aproximação com a  Inteligência Suprema, em outras palavras, Deus.
Voltando à Umbanda, Orixá significa Energia de Cabeça (falei mais sobre isso aqui), mais um ponto que confirma o sacramento da coroa (cabeça, ori) do filho de santo. Como a umbanda tem essa característica de contemplar qualidades de várias religiões, todos os argumentos acima são válidos também para a nossa liturgia.

Por que não devemos deixar as pessoas tocarem nossa cabeça?

Por representar o ponto de contato entre a gente e o astral, o ori deve ser preservado, evitando-se que quaisquer pessoas não autorizadas o toquem. quando digo quaisquer pessoas, eu falo sobre todas elas, independentemente de sua religião ou intenção.

Da mesma maneira que recebemos energias por nossa coroa, emanamos por nossas mãos ou objetos que empunhamos, além do fato de sermos um subproduto de nossas intenções, ou seja, emanamos energias íntimas, produzidas de acordo com nosso estado de espírito, por esse motivo se alguém ficar muito tempo tocando nossas cabeças há o grande risco do choque de energias, o que nos desestabiliza emocional,espiritual e até fisicamente.

É por isso que eu, enquanto Pai de Santo, evito ao máximo o gesto de erguer a mão sobre o ori de um filho, porque durante a gira estamos de coroa aberta para receber as vibrações dos orixás e é só da energia deles que o médium precisa, não a de outro encarnado.

Há momentos em que a intervenção do dirigente se faz necessário, pois o médium pode estar sofrendo de algum bloqueio, contudo julgo mais saudável que ele aprenda a vencer essas dificuldades sob uma supervisão mais distanciada. Médiuns mais maduros nascem assim.

Gostaram do texto? Concordam? Discordam? Deixem suas opiniões nos comentários!

Axé.

17 de set. de 2013

Namoro na Umbanda. Parte 2: os principais erros.

Quando o estresse do amor vai parar dentro do terreiro.

Olá irmãos umbandistas, como vão? Há algumas semanas falamos aqui sobre a proibição ou não dos namoros entre membros de uma mesma corrente mediúnica. Se ainda não leu, clique aqui, se inteire do assunto e retorne ao presente texto.

Vale ressaltar que eu sou a favor da liberdade de escolha amorosa dos filhos e dirigentes do templo, em meu terreiro há diversos casais e eu só estou escrevendo esta série de textos porque já namorei com pessoas do mesmo terreiro que o meu (estando eu como filho e, posteriormente, como pai). E por ter dado inúmeras cabeçadas nessa vida, falarei hoje sobre os principais erros que um casal pode cometer em sua vida de terreiro.

1. Colocar a mão na coroa. Isso é uma ordem do astral que aprendi a respeitar. Para começar, eu detesto ficar colocando a mão na cabeça de quem quer que seja, salvo os raros casos em que a pessoa está iniciando seu desenvolvimento ou que esteja com muita dificuldade na incorporação. E isso se agrava quando há um envolvimento amoroso entre as partes, porque, para balizar o desenvolvimento de uma pessoa, é necessária total imparcialidade, coisa que um casal definitivamente não tem. Sério gente, isso não faz bem.

2. Namorar DENTRO da gira. Sim, há pessoas que não conseguem deixar o namoro do lado de fora da gira. Ficam controlando os passos um do outro durante os trabalhos espirituais, deixando assim de se concentrar no axé da corrente. Ou pior: aproveitam cada intervalo para já ficarem agarrados, trocando beijos diante dos irmãos e visitantes. Já vi casos de um sentar no colo do outro e assim realmente não dá.

3. Confundir o Guia com a pessoa. Acontece muito disso e eu mesmo já fui vítima desse tipo de equívoco. A pessoa simplesmente se esquece de que nós doamos a nossa matéria para uma entidade espiritual, olhando apenas a figura e não quem a manipula. Aí se a entidade manifesta algum tipo de carinho por outro irmão ou visitante, a pessoa cujo namorado(a) está no processo de transe encara a cena com ciúmes, gerando assim uma carga excessiva e desnecessária de energias negativas que certamente causarão problemas a alguém mais tarde.

4. Transformar as entidades em conselheiros amorosos. Tem briga de casal em casa, eles não se resolvem e também não tem maturidade suficiente para deixar as rusgas do lado de fora do terreiro, o que acontece? Vão fazer de penico os imaculados ouvidos dos caboclos, pretos-velhos, marinheiros etc. que, pacientemente, se deixam alugar por um tempo infinito com a intenção de desfazer o clima pesado que o casal gerou no terreiro. E com isso as pessoas com necessidades legítimas ficam na fila...

5. Ficar se consultando com os Guias do parceiro(a). É uma dica que se aplica de forma semelhante ao erro número 1. Isso porque é necessária muita, muita concentração e tranquilidade para que a sintonia entre o médium e o espírito não seja quebrada, certo? Levemos em conta agora que a maioria dos médiuns são conscientes ou semi-conscientes. Agora imagine como fica a cabeça de um médium quando vê o companheiro(a) diante de "seu guia" para uma consulta. A luz vermelha do conflito de interesses acende na hora! A sintonia sofre grave abalo.

Querem complicar mais? Combine o item 4 e o item 5: um casal que brigou em casa, chega no terreiro e um vai reclamar para a entidade do outro sobre seus respectivos parceiros. Me digam, é seguro? Claro que não.

Repito: já vi muito disso nos terreiro e já cometi vários desses erros, sei muito bem do que estou falando. Portanto, sintam-se a vontade para se apaixonar por seus irmãos de santo e viver felizes com eles, mas deixem o relacionamento do lado de fora da gira e tentem não cometer esses erros que falei agora e muitos outros que a inexperiência pode nos levar a fazer.

Muito, muito axé para todos vocês! 

9 de set. de 2013

Meu reencontro com a Umbanda: o nascimento do Portal dos Orixás.

Esta imagem é raríssima: um dos primeiros congás do Portal dos Orixás, nossa casa nasceu num quartinho simples como a Umbanda deve ser.

Olá irmãos, como vão todos? Vocês se lembram de quando lhes contei da descoberta de minha mediunidade? Pois bem, hoje apresentarei mai um capítulo de minha história: o meu reencontro com a Umbanda.

Como sabem, eu conheci a umbanda com mais ou menos 7 para 8 anos, caí na gira pelas mãos do baiano Jeremias, o barra-vento me derrubou etc. Fato é que àquela época, minha irmã (que hoje é minha Mãe de Santo) estava grávida e posteriormente saiu daquele terreiro, para a alegria de minha mãe que odiava terreiro, tambor, espiritismo e tudo mais. E a vida seguiu o seu curso por uns 10 anos...

Eu morava em Itanhém, litoral Sul de São Paulo, namorava, vivia em uma chácara (ondoe hoje funciona o terreiro que dirijo) com meus pais e irmão, tudo tranquilo até que minha irmã, Raquel, veio passar uns meses conosco e começou a entrar em temas de espiritismo e me contava o que "As Vozes" diziam em seu ouvido o tempo todo.

Sou curioso doentio, confesso. Me apresente algo novo e eu vou colar em você até aprender tudo o que sabe, depois disso continuarei buscando por outras fontes de informação. No meu caso, minha irmã me apresentou a Umbanda, suas diretrizes e características, a prioridade pela caridade, o amor e a humildade, os Orixás e os demais guias protetores. Ficávamos horas e horas conversando sobre isso, noites adentro, eu perguntava, os guias respondiam e ela repassava as respostas. Bom tempo aquele.

Outra característica minha é a de não conseguir reter boas notícias, eu compartilho mesmo tudo aquilo que me faz bem, principalmente aquela redescoberta tão interessante. Foi questão de tempo até que aquelas conversas entre mim e minha irmã se tornassem reuniões entre ela, meu cunhado, o Peninha e a Daiane (dois dos melhores médiuns que já vi) e eu. Nascia ali, meus irmãos, o Portal dos Orixás, da união daquelas poucas pessoas curiosas ao redor de uma médium experiente, da fé de cada um e do grupo, do desejo de saber mais e de aplicar o conhecimento e da oportunidade de beber da fonte, ou seja, de ter suas perguntas respondidas diretamente dos Orixás.

Olhando para trás, o que pude aprender é que não dá para iniciar nada (muito menos um terreiro) sozinho ou sem união das pessoas em torno de um propósito. A gente respirava Umbanda naquela época, toda hora era hora de aprender e se desenvolver. Realmente eram áureos tempos que eu reviveria milhares de vezes se eu pudesse. Portanto, irmãos, aproveitem cada oportunidade que vocês tem de beber da fonte de sabedoria, de se entregar à gira e às vibrações do templo. Nunca se sabe os frutos que podemos colher disso.

Num próximo texto vou lhes contar como foi meu retorno (cômico, por sinal) aos desenvolvimentos.

Axé!

4 de set. de 2013

Qual a diferença entre Umbanda e Candomblé ?


Boa tarde caros leitores, amigos e irmãos de fé, por tempo não escrevo no blog, mas acreditem, se existe uma sina em minha vida essa sina é o irmão Claudio e agora por mais uma vez trabalharemos juntos, então talvez eu consiga cumprir a promessa de ser mais assíduo em meus textos. (Filhos de Oxóssi são caras de pau mesmo).

Em algumas conversas com ele, ou mesmo observando nossa página no Face, sempre surgem dúvidas quanto a Umbanda e o Candomblé, fundamentos de um e fundamentos de outro, e sempre a dúvida fica pairada no ar.

Afinal, qual a diferença entre Umbanda e Candomblé ?

Resposta: Tudo !

Melhor começarmos a discutir isso com outra pergunta, o que a Umbanda e o Candomblé tem em comum ?

Resposta: A mediunidade e o atabaque.

Sim, só isso.

Mas e os Orixás, há quem tanto louvamos e cantamos na gira de Umbanda.

Muitos irão discordar/ questionar quanto a resposta, mas em sua essência são coisas diferentes.

Na Umbanda se louva o Orixá, se canta, se reza e vibramos por eles. (Lembrando que a Umbanda definitivamente fundada pelo seu Zélio Fernandino, não tinha em sua essência o culto aos Orixás, e sim espíritos de desencarnados, como Caboclos e Pretos Velhos, a referencia ao Orixá na Umbanda não se sabe ao certo, mas a tese mais aceita de forma empírica é que os Pretos Velhos em sua vida carnal, o cultuavam de acordo com suas nações, e em sua jornada espiritual na seiva umbandista trouxeram esses ensinamentos e praticas de louvor. Mas lembrem-se que são coisas distintas, praticadas e consolidadas em períodos completamente distantes e diferentes na linha do tempo da história do Brasil.)

A Umbanda em si é constituída pela máxima da caridade através da mediunidade humana, onde os mentores por consultas, fazem a pratica dessa junto com seu médium e em meios aos trabalhos cantam e louvam os Orixás.

Ahhh Mentira ! E então o Ogum que eu recebo na Umbanda, não é um Orixá ?

Resposta: (Isso pode gerar bastante discordância entre os leitores) Mas não é um Orixá, é um espirito, um falangeiro que vem na "linha", vibração, daquele Orixá.

Por exemplo: Ogum Beira-Mar, não existe nas nações de Candomblé o Orixá Ogum cujo a qualidade seja Beira-Mar, esse é um termo brasileiro e da língua portuguesa.

Mas então quem são essas entidades e o que fazem ?

Assim como o Orixá Ogum atua nos caminhos, na guerra e na conquista, estes falangeiros também assim o fazem, a diferença é que eles são espíritos, e não essências puras como o Orixá que nasce do Ori de cada ser.

O mesmo acontece com os Caboclos de Xangô, as encantas de Iemanjá e Oxum etc..

No Candomblé a trilha é bem diferente, como diz meu zelador, Umbanda e Candomblé é como água e óleo, pode até parecer que num primeiro momento as substancias se misturam, mas depois a água decanta do óleo e elas se separam, não há como misturar. Umbanda é Umbanda e Candomblé é Candomblé. (Deixo aqui minha forte crítica para as casas que tocam o triste "umbandomblé")

Nos cultos de nação o Orixá é cultuado, mas qual a diferença disso ?

As reuniões de um Ilê não são pautadas por consultas, passes ou irradiações e sim se configura na incorporação do Orixá, nas danças, nos seus fundamentos e obrigações.

O Orixá no Candomblé é uma essência pura, um fragmento da natureza e até mesmo de Deus, assim como Iemanjá nas águas, Oxóssi e Ossain nas matas, Oxum nas cachoeiras.

Esse energia, pode ser considerada como uma centelha divina da própria natureza, que por sua vez tem a consciência e sua forma sublime e bruta ao mesmo tempo. Não se incorpora um Orixá a torto e a direito, não se da passagem a um Orixá como se da a um Caboclo, ele não sai com pés de dança pelo salão sem passar por processos e ritos, não se faz um Orixá num filho de santo sem ser pelas mãos de uma pessoa com no minimo 7 anos de iniciação.

Poderia ficar horas e horas, escrever linhas e linhas, para tentar separar essas duas religiões, mas para lição de casa e melhor entendimento, vale estudar um pouco sobre a origem de cada uma das religiões, para entender em si qual a diferença.

Deixo aqui um abraço cheio de paz para todos os nossos leitores, umbandistas e candomblecistas, Deus será sempre o mesmo e único.

Axé pra quem é de axé, saravá pra quem é de sarava e shallon pra quem é de shallon.




28 de ago. de 2013

Como definir a Umbanda?

O que torna a Umbanda única e especial?
Já disse várias vezes aqui que a Umbanda é bela por ser mutável, por cada terreiro ser único e incomparável, mas mesmo assim ser facilmente reconhecido como umbandista. Mas como tudo na vida tem seu lado negativo, comecei a refletir sobre os contras dessa liberdade conceitual que só a Umbanda tem e cheguei à conclusão de que isso abre campo para que qualquer um faça qualquer tipo de culto e diga em alto em bom som que aquilo é Umbanda.

Recentemente um amigo me contou que ia em um terreiro de Umbanda e que o Pai de Santo cobrou por uns trabalhos e como o rapaz não tinha como pagar, foi amaldiçoado pelo sacerdote: "Se não pagar o que me deve, vai perder tudo o que tem. Tudo mesmo!". Fiquei estarrecido e perguntei sobre o que era feito na tal casa e descobri que havia matança de animais, trabalhos feitos para o mal e por aí vai. Eu disse que aquilo definitivamente não era Umbanda. "Ele dizia claramente que era Umbanda sim, juro!", respondeu meu amigo. De fato esse é o grande ônus de não termos um Líder unificador ou um livro de códigos como a Bíblia. Não que eu seja a favor disso, porque definitivamente não sou, gosto da Umbanda livre como sempre foi, mas qualquer um pode se dizer zelador espiritual de Umbanda, infelizmente.

Perguntei em nossa página no Facebook:

O que define a Umbanda? O que a torna única?

Algumas respostas:

"A Umbanda é uma religião inserida na religiosidade cultural brasileira. É estruturada, moralmente, em 3 princípios: fraternidade, caridade e respeito ao próximo." 
- Wildner Soares.

"Caridade Pura e amor!" - Elida P. Wiazowski

Eu juro que esperava respostas que falassem em Orixás, sincretismo religioso, atabaque, Zélio Fernandino e por aí vai, mas descobri que a Umbanda não não é definida por métodos ou culto, ela é rotulada por seus propósitos: caridade, amor e humildade.

Sei que muitos lerão isso e dirão "Mas há muitas religiões que praticam essas 3 coisas e não são a Umbanda". E eu responderei que a Umbanda tem parte dessas religiões em si, porque ela é mutável, é agregadora por essência. A Umbanda traz para si as melhores práticas e condutas de todas as outras liturgias, é isso que a torna tão grande, difusa e encantadora.

Outras dúvidas surgirão, por isso quero que vocês as escrevam nos comentários para que eu fale mais sobre o tema e também sobre caridade, humildade e amor nos próximos textos.

Axé!